As crianças e o divórcio dos pais

A separação ou o divórcio, para além serem experiências angustiantes e perturbadoras para os membros do casal e respectivos filhos, implica uma série de tomadas de decisão que podem ser críticas e que requerem um conjunto de reajustamentos pessoais e relacionais.

 

Segundo a psicóloga clínica e educacional Fátima Ferro, o divórcio provoca um grande desgaste emocional, criado por múltiplas perdas, nomeadamente de investimento afectivo e material, para ambos os membros. Além disso, estes têm de gerir a forma como os filhos vão ver a separação.

Em muitos casos, os miúdos culpabilizam-se, cabendo aos pais a tarefa acrescida de os ajudar a limpar a cabeça de qualquer tipo de pensamento negativo. 

O casamento ou a união entre o casal pode terminar, mas a sua obrigação enquanto pai e educador não. A família deve continuar estruturada – mesmo que passe a haver dois lares em vez de um. Os filhos têm de se sentir bem e adaptados nos dois.

É importante que os pais continuem a relacionar-se de uma forma construtiva, esquecendo os problemas que os separaram e mantendo-se firmes na educação dos filhos. "Os pais até podem ter deixado de gostar um do outro, mas podem continuar a trabalhar em conjunto para um objectivo comum", afirma a psicóloga. 

"As crianças devem ter liberdade para expressar as suas preocupações e sentimentos, caso lhes apeteça partilhar, e estes devem ser aceites pelos adultos. Os pais vão continuar a ser um casal de pais, e desta função não podem pedir o divórcio", acrescenta.

Para preservar a funcionalidade familiar e o bem-estar dos seus filhos, a psicóloga Fátima Ferro aconselha que:

1 - Explique por que se estão a divorciar. Cada um dos pais pode contar as suas razões e dizer o que aconteceu. Deve esclarecer as crianças sobre o que devem esperar e o que vai ficar diferente nas suas vidas. Deve dizê-lo uma forma adequada à idade dos seus filhos e à sua capacidade de entendimento. Assim, eles enfrentam com muito mais facilidade todo o processo de divórcio.

2 - Tranquilize os seus filhos a respeito da permanência e continuidade da relação com outro progenitor. A partida inesperada de um dos pais é sempre um choque angustiante para os filhos. O contacto entre eles deve ser feito de forma frequente e previsível, começando imediatamente após a partida de um deles, para que desta forma não seja ameaçado o vínculo existente entre as crianças e cada um dos pais. 

3 - Explique aos seus filhos que vão passar a ter duas casas. Em nenhuma destas, as crianças se devem sentir como visitas. É importante que tenham um quarto para elas – com as suas coisas - independentemente do tempo que passam em cada casa.

4 - Preserve os seus filhos. Mantenha-os afastados dos problemas e das discussões. Quanto menos eles sentirem a tensão entre os pais, melhor. 

5 - Chegue a acordo em relação às regras de educação. Ambos os progenitores têm a responsabilidade de contribuir para a educação dos filhos. É importante que as regras sejam claramente definidas, consistentes, e iguais nos dois lares. 

6 - Evite fazer dos seus filhos "pombo correio". As crianças não devem ser utilizadas como "veículos" de transmissão de mensagens entre o casal. 

7 - Evite sobrevalorizar-se em detrimento do outro progenitor. Os filhos devem ter liberdade para amar os pais de igual forma, sem uma imagem denegrida de um deles e sem conflitos de lealdade ou perguntas do género: "de quem é que gostas mais" ou "com quem é que gostas mais de estar". Essas questões são de evitar ao máximo. 

8 - Poupe os seus filhos.
 Os miúdos não tem nada de ficar a par de situações desagradáveis que envolvam os pais. Devem ser poupadas de factos que aconteceram e que só dizem respeito à intimidade do casal. 

fonte:http://isabe.ionline.pt/

publicado por adm às 22:47 | link do post | comentar